A gestão do futuro

O verbo é a ação do sujeito. Os tempos do verbo indicam o presente, o passado ou o futuro. Nossas vidas são recheadas de verbos, sujeitos tempos e espaços. O roteiro do nosso dia a dia é uma combinação de quatro variáveis: tempos, espaços, pessoas e eventos

Quais os espaços você está frequentando?

Quais as pessoas estão te frequentando?

Quanto tempo você frequenta e é frequentado pelas pessoas?

Em quais eventos?

Seus eventos, pessoas, espaços e tempos são dedicados a quê? Trabalho? Lazer? Família? Amigos? Filantropia? Descanso? Esporte? Cultura?

Quem define essa equação? Como decidir o evento, local e tempo que se pretende estar com a mãe no final de semana?

Isso é gestão do futuro: identificar um “parenteses” no tempo futuro e desenhar os eventos, espaços tempos e pessoas. Isso é pilotar a propria vida.

Nós não somos preparados para isso. Em geral nossas vidas são uma colcha de retalhos de tempos, espaços, pessoas e eventos que se revezam de acordo com as combinações possíveis nos roteiros individuais e coletivos.

Sentimos uma sensação controversa de estarmos trilhando um futuro intangível mas asfaltando um passado concreto.

Nosso passado nos dá uma incrível segurança. Temos uma inacreditável habilidade para construir o passado. Aprendemos a construir uma carreira, um currículum, um nome. Estamos sempre demandados a comprovar a qualidade do nosso passado. Seja como estudantes, filhos ou cidadãos. Nossas credenciais são muito mais voltadas para o que “fizemos” do que para o que “faremos”. É claro que o passado faz parte do nosso futuro mas o futuro precisa de gestão.

É difícil participar de uma conversa no bar, na escola ou em família em que as pessoas fiquem muito tempo falando do futuro.

Conjugamos nossos verbos no passado durante a maior parte do tempo: os jornais, revistas, escolas e empresas vivem falando e ostentando o passado.
Observe as pessoas ‘a sua volta. Conte quantos verbos no passado elas conjugam em uma hora. Notícia é passado, fofoca é passado, futebol é passado, política é passado, boletim é passado. A vida quase toda é passado. Sofrimento é passado. Depressão é passado. Quase tudo é passado.

Por quê será que não aprendemos a pensar no futuro, programar o futuro, sonhar com o futuro? Que futuro sonhar? Daqui a meia hora? O cinema amanhã, o curso no próximo semestre, a horta a ser plantada no sítio ou o plano da casa própria? Deveríamos falar mais sobre o futuro, sobre planos para o futuro. Planos de novos eventos com pessoas, espaços, tempos planejados, sonhados e possíveis de serem realizados.

Creio que deveria existir um novo tipo de terapia: a “terapia do verbo”: seria uma possibilidade da pessoa aprender a identificar os verbos que ela usa no dia a dia e os tempos em que eles estão sendo conjugados. Seria fácil para cada um encontrar possibilidades de mudar o futuro identificando na própria comunicação a recorrência de verbos como: esquecer, errar, competir, cooperar, ensinar, aprender, sonhar, mudar, melhorar, perdoar, entender, compreender, saber, construir, etc. Identificando estes verbos poderemos prestigiar alguns e eliminar outros.

Tem muita gente que construiu uma maravilhosa estrada no passado e está assustada com as trilhas selvagens que o futuro começa a apresentar.
O verbo é a ação do sujeito. Os tempos do verbo indicam o presente, o passado ou o futuro. Nossas vidas são recheadas de verbos, sujeitos tempos e espaços. O roteiro do nosso dia a dia é uma combinação de quatro variáveis: tempos, espaços, pessoas e eventos.

Cuidar dessa equação com maestria é o maior desafio de cada um: a gestão do futuro. Deixar tempos, pessoas, espaços e eventos se acomodarem de maneira aleatória vai, no máximo, permitir ao protagonista dessa história um lugar no buteco da vida. Em alguma mesa deste buteco ele estará a lamentar o repentino afunilamento da sua autoestrada do passado. Sua tentativa vai ser justificar o novo passado que se avizinha encontrando culpados em apenas 4 variáveis: no tempo, nas pessoas, espaços e eventos que ele frequentou mas não soube pilotar... Isso tem nome: é gestão do passado.

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