Os filhos de Woodstock e a era do conhecimento

Estamos no século XX, no final da década de 1980, num país chamado Brasil, Planeta Terra. Notícias de novos produtos concorrentes invadindo o mercado apavoravam os administradores que viam seus lucros caírem e não sabiam o que fazer. O cliente não era mais fiel. O fantasma do desemprego passou a ser tão real para todas as classes sociais que funcionários e executivos não sabiam se ainda tinham seu posto de trabalho quando saiam de casa.

Com a chegada da tecnologia, os executivos tiveram dificuldade em lidar com as mudanças. De uma hora pra outra, os tradicionais administradores, com mais de 50 anos, começaram a ver seus postos de trabalho serem ocupados por jovens de 30 a 35 anos. Uma geração inteira ficou a ver navios quando o mercado abreviou em cerca de 20 anos a concorrência para os altos cargos das organizações.

Um mundo que lidava com as transições na cúpula das empresas de maneira tranqüila e gradual, assistia, atônito, a essa espetacular chegada de uma massa de jovens administradores ávidos por mostrar produtividade. Médicos, advogados, administradores de empresas, consultores e centenas de outras profissões passavam por uma competição sem precedentes na disputa pelos melhores cargos.

Pouca gente compreendeu a chegada da Era do Conhecimento. A disponibilização repentina de infinitas possibilidades de cruzamento de informações atropelou o mundo empresarial. Tribos estanques, que viviam ensimesmadas dentro de paradigmas acadêmicos e culturais, passaram a conhecer novos pontos de vista sobre velhas equações. A mistura do caldo cultural das bolhas do conhecimento, que explodiram com a conexão mundial, invadiu cada posto de trabalho.

Astrólogos e astrônomos trocavam experiências. Médicos e místicos, engenheiros e assistentes sociais formavam novos pontos de vista ao acessar informações até então indisponíveis para profissões e ofícios dogmatizados. No Brasil, era comum um profissional liberal levar de 15 a 20 anos para adquirir determinado conhecimento, que já estava quase ultrapassado no Primeiro Mundo. Uma geração inteira se conectou ao planeta e sorveu informações e tecnologias de ponta nos melhores centros de excelência do mundo.

A Internet chegou desobstruindo limites de troca de conhecimento. A tecnologia da informação qualificou jovens a praticamente todos os postos de liderança em velocidades absurdas. Para complicar mais ainda, estes jovens e preparados executivos entraram no mercado de trabalho transpirando informática, marketing, qualidade, planejamento e internacionalização. Era demais para os administradores de plantão. O mercado em crise, a concorrência aumentando, os consumidores infiéis e as empresas carecendo de novas idéias.

As tribo-empresas estenderam os tapetes vermelhos para a juventude tecnológica. Com isso precipitaram uma transição cultural que levaria, tradicionalmente, cerca de 20 anos para ocorrer. O paradoxo deste momento histórico é que a geração de executivos e funcionários que pagou essa conta foi a mesma que rompeu com os padrões morais e sexuais no pós-guerra. Os jovens que mergulharam na lama de Woodstock e imortalizaram os símbolos de paz e amor continuaram quebrando tabus e atropelaram o muro de Berlim no final da década de 80.

A ousadia sem limites dessa geração, popularizou o micro computador e conectou o mundo através da Internet e da telefonia celular. Os líderes mundiais, que estavam com 40 a 55 anos, na década de 80, não deram tempo para seus próprios contemporâneos absorverem as tecnologias criadas por eles mesmos. Os grandes beneficiados de todas as revoluções lideradas pelos nascidos na década de 40 foram os nascido nos anos 60. Os valores sexuais, sociais e tecnológicos foram mais rapidamente assimilados pelos filhos do que pelos pais. Na carona dessa revolução, os herdeiros assumiram os controles das mudanças e mandaram os pais pra casa mais cedo.

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